Tendências 2025 no Mundo Digital
Quais são as tendências para 2025 no mundo digital e hiperconectado? Você e sua empresa estão preparados?
Gabriela Martins do E. Santo
2/12/20256 min read
O mundo digital está evoluindo a passos largos e 2025 promete ser um ano de transformações importantes para empresas de todos os setores. Novas tecnologias, mudanças regulatórias e o fortalecimento da proteção de dados estão moldando o cenário digital. Para ajudar você a se preparar, destacamos algumas das principais tendências que devem impactar os negócios este ano.
1. Inteligência Artificial e Automação: o novo normal
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser um diferencial e se tornou uma ferramenta essencial para empresas que buscam eficiência e inovação. Em 2025, veremos uma adoção ainda maior de I.A generativa para fins de atendimento ao cliente, análise de dados e segurança cibernética.
Porém, a governança de dados ainda é um desafio para 70% das empresas, especialmente em razão da variedade e quantidade de informações constantes em seus bancos de dados. Informações incompletas para treinar modelos de I.A, falta de processos de governança e dificuldade de integração rápida dos dados aos modelos de I.A prejudicam o aproveitamento de todo o potencial da I.A, segundo o relatório da MIT Sloan Brasil em coprodução com CI&T e Databricks, “Inteligência em números: como I.A transforma dados em oportunidades de negócio.”
Ou seja, para que os dados sejam úteis, eles precisam ter qualidade, segurança, confiabilidade e devem ser obtidos de maneira ética. Governança é a palavra-chave e empresas que souberem integrar essas soluções ao seu dia a dia terão uma vantagem competitiva significativa.
2. Segurança Cibernética: reforçando as barreiras
Com o aumento das ameaças digitais, a segurança cibernética se tornou prioridade. O crescimento do trabalho remoto e do uso de dispositivos conectados, bem como o aprimoramento dos ataques cibernéticos exigem que as empresas invistam mais em proteção contra tais ameaças. Ransomware, phishing e a utilização de engenharia social já são conhecidos no mundo dos ataques cibernéticos, mas novas tendências de ataques cibernéticos foram levantadas no fórum Cyber Crisis Management: “From Chaos to Control”, evento focado na gestão de crises cibernéticas. Dentre elas, destacamos as principais:
Os ataques cibernéticos serão cada vez mais ligados a conflitos geopolíticos, com interrupções, vigilância, roubo de dados e de identidade;
Ataques com utilização de I.A: uso de deepfakes e engenharia social será cada vez mais frequente para coordenar ataques cibernéticos (mais um motivo para reforçar os treinamentos e a conscientização de colaboradores das empresas);
Ataques cibernéticos a infraestruturas físicas, como edifícios inteligentes e instalações industriais, aumentarão em 2025;
Exploração de vulnerabilidades da cadeia de suprimentos: as empresas precisarão se preparar tanto para ataques internos, quanto ataques em suas cadeias de suprimentos (fornecedores, parceiros etc.);
Como se preparar para tudo isso? A palavra é prevenção e proatividade. Empresas que se preparam antes, investem em estruturas de cibersegurança, treinamento e conscientização de equipe, têm mais chances de se recuperarem de um incidente de segurança e se restabelecerem mais rapidamente.
Além disso, eventuais novas regulamentações devem exigir medidas de segurança mais robustas para garantir a privacidade dos usuários, especialmente nos setores financeiro e de saúde, nos quais já podemos ver uma preocupação maior com a segurança e confidencialidade das informações, e uma constante atualização das regulamentações setoriais, como, por exemplo, as do Bacen, da Receita Federal e da ANS.
3. Regulamentação Digital: o que muda para as empresas?
As leis que regem o ambiente digital estão em constante evolução e em 2025 não será diferente. Três mudanças importantes devem impactar empresas no cenário brasileiro:
Reforma do Código Civil: o anteprojeto agora foi convertido em PL (PL 4/2025) e apresentado no Senado Federal. A proposta prevê a inclusão de um capítulo específico sobre Direito Digital no Código Civil, o que pode trazer mudanças na regulamentação das plataformas digitais, regras mais claras sobre contratos eletrônicos, critérios mais objetivos para danos morais, proteção de dados pessoais e privacidade, e direito ao esquecimento.
Atuação da ANPD: a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tem intensificado sua fiscalização sobre empresas que não cumprem a LGPD. No último trimestre de 2024, a Autoridade intensificou os processos fiscalizatórios, tendo autuado mais de 20 empresas de diversos setores, tais como Cacau Show, Quinto Andar, Uber, TikoTok, BlueFit, Saúde Total, Dell, Telegram, Vivo, entre outras, por ausência de um Encarregado indicado e/ou falta de um portal de comunicação eficiente com o titular de dados. Além disso, a ANPD aumentou os processos de investigação de incidentes de segurança, totalizando 21 processos abertos em outubro de 2024 – o que é mais do que em quatro anos de atuação do órgão. Embora a maioria dos processos corram em sigilo, os principais pontos de questionamento da Autoridade estão ligados à segurança dos dados, indicação de um Encarregado, efetivação dos direitos dos titulares, bases legais para justificar o tratamento de dados, transparência e adequação aos princípios da LGPD. Em 2025, espera-se que as penalidades sejam aplicadas de forma mais rigorosa, o que torna essencial para as empresas estarem em conformidade, pois nenhuma empresa que lida com dados pessoais está imune à LGPD, independente do tamanho e do setor de atuação.
Regulação das Plataformas Digitais: o debate (judicial e extrajudicial) sobre a regulação de plataformas digitais, como redes sociais e marketplaces, tem ganhado força. Questões como moderação de conteúdo, transparência algorítmica e responsabilidade das plataformas sobre conteúdos prejudiciais estão na pauta e podem levar a novas obrigações para empresas que operam no ambiente digital. Além disso, multas e o banimento de plataformas digitais em determinados países (a exemplo do TikTok em alguns países da União Europeia), em razão da não conformidade com as leis de proteção de dados e privacidade, só reforçam a importância e o espaço, cada vez maior, que tais regulamentações têm ganhado.
4. Experiência do Usuário e Privacidade: um equilíbrio delicado
Com os consumidores cada vez mais atentos à forma como suas informações são utilizadas, as empresas precisarão encontrar o equilíbrio entre personalização, automação dos serviços e privacidade. Estratégias como o uso de dados anonimizados e a transparência nas políticas de privacidade serão fundamentais para conquistar a confiança do público.
Além disso, fazer com que informações sobre como os dados dos usuários são utilizados e quais são seus direitos cheguem até eles em linguagem clara e facilitada será uma vantagem competitiva para as empresas. Para além do cumprimento de uma obrigação legal e da fiscalização da ANPD, a conformidade com a LGPD e, consequentemente, o respeito à privacidade dos titulares de dados será um pilar estratégico para o desenvolvimento sustentável dos negócios.
Casos como o da empresa Tools for Humanity (TfH) – que propõe o escaneamento da íris de usuários em troca de pagamento em criptomoeda – apenas reforçam a importância da privacidade dos indivíduos e da transparência para com eles. A maioria dos brasileiros que foram até um dos pontos de coleta não tinham a menor ideia sobre os objetivos do projeto, nem quais dados pessoais (além da íris) estariam fornecendo à empresa. A ANPD notificou a empresa e determinou a suspensão do pagamento em troca do escaneamento da íris. Apesar de a empresa ter recorrido, a Autoridade manteve sua decisão e, por enquanto, as operações da empresa estão suspensas aqui no Brasil.
Devido a casos como esse, que causam certa perplexidade na população, debates sobre a utilização ética e não discriminatória de dados pessoais são essenciais. As empresas que conseguirem adotar na prática medidas eficazes de proteção de dados, para além de um aviso de privacidade no site, certamente estarão em vantagem tanto do ponto de vista da conformidade legal, quanto da confiança do público.
5. Open Banking e Open Health: a revolução dos dados financeiros e de saúde
O avanço das iniciativas de Open Banking e Open Health está mudando a forma como dados financeiros e de saúde são compartilhados e utilizados. Em 2025, espera-se um crescimento significativo dessas iniciativas, permitindo maior personalização de serviços, ampliação da concorrência e inovação no setor financeiro e na área da saúde. Empresas que souberem aproveitar essas oportunidades, garantindo a conformidade com as regulamentações setoriais e de privacidade, poderão oferecer experiências mais eficientes e seguras aos seus clientes.
O mundo digital está mudando rapidamente e estar preparado para essas tendências pode fazer toda a diferença para o sucesso do seu negócio. Quer entender melhor como sua empresa pode se adequar às novas regulamentações e se proteger contra riscos digitais? Entre em contato conosco e saiba como podemos ajudar!
Vamos construir juntos um futuro mais seguro e responsável no mundo digital! 🚀🔐🌐